sexta-feira, 6 de julho de 2012

A vida é bela!


    Será?  Que garantias temos do que há por vir? 

   Quando engravidamos e parimos, o que mais nos preocupa é saber em que mundo estamos colocando aquele pequenino ser, aquela preciosidade que gestamos.  Alimentamos esse bebê,  contamos cada grama de leite mamado, tentamos evitar o vento,  o frio, o calor e os mosquitos.  Ficamos parados observando seu soninho,  chegando mesmo a verificar se respira.   

    O primeiro dia em que o deixamos com alguém, pra trabalhar, o primeiro dia de creche,  são inesquecíveis sentimentos de remorso, de ciúme e de perda. 
 
    Ao primeiro esfolado do joelho,  choramos ao dar aquele beijinho que cura.
 
   Quem dera curasse!  Tudo o que queríamos era podermos curar todas as mágoas,  todas as dores,  todos os amores não correspondidos.
 
   Olhos nos olhos, procuramos saber o que pensa, de que gosta e pelo que sofre.  Nada é mais importante do que o sorriso dos nossos filhos.  E tentamos a todo o custo, mostrar uma vida bela,  mesmo que não seja, ainda assim, tentamos pintar uma paisagem melhor para esse mundo.  

   Este filme “La vita é bella”,  classificado como comédia dramática, mostra, acima de tudo,  o comprometimento de um pai com a felicidade do filho.  Nada importava mais que mostrar ao filho um mundo belo.  Bela é a vida onde as pessoas se comprometem com a felicidade de alguém.  Bela é a vida onde existe um pai dedicado.  A vida é bela quando existe o amor, quando existe a família!

Trailer legendado:

Película completa: lamentavelmente em espanhol e não em italiano (original).



quarta-feira, 27 de junho de 2012

Das origens, Parte 4









Voltando aos registros de minha avó Henny,  as anotações dos nomes dos pais dos pais e dos pais da mãe, com local, data de nascimento e morte, profissão dos homens e ainda os nomes de solteiras das esposas.  Exemplo de carinho.   

















Dessa maneira carinhosa foi registrado o nascimento de meu pai:


“Em 22 de fevereiro, às 8h15 da manhã, nasceu nosso menino Fritz Rohsner (1914)”

















Em homenagem a ela, a cantata 147 - Jesus Bleibet Meine Freude
 Johann Sebastian Bach                                             


Jesus bleibet meine Freude,

Meines Herzens Trost und Saft,
Jesus wehret allem Leide,
Er ist meines Lebens Kraft,
Meiner Augen Lust und Sonne,
Meiner Seele Schatz und Wonne;
Darum lass ich Jesum nicht
Aus dem Herzen und Gesicht.








quarta-feira, 20 de junho de 2012

Rio das Flores





Em tempos de Rio +20

Assisti esse curta em 1995 e nunca me esqueci.  Difícil não se sentir culpado, difícil não chorar.  É pra ser assistido várias vezes,  até sangrar a alma.  Eu considero que o lixo é o maior problema do planeta.   Aí entra o consumismo e a falta de bom senso.  Quantas vezes tentei consertar algum aparelho elétrico, como um ferro de passar roupa e descobri que custaria o dobro do preço de um novo?  Solução?  Jogar fora e comprar um novíssimo, com mil recursos,  baratíssimo, em dez vezes no cartão de crédito.   Assim acontece com a TV,  o relógio, o fogão, a cama.  E os computadores, máquinas fotográficas e celulares?  É alucinante a velocidade do descarte.  Eu, particularmente, que sou do tempo em que a gente trocava a resistência (uma placa de malacacheta) do ferro elétrico em casa,  resisto demais em descartar um aparelho que está novo, só quebrou um pedacinho...

E os alimentos?  Morei numa rua com Feira Livre, que horror!  A quantidade de folhas, frutas e legumes que é deixada no chão é indecente.  Aí, chega o segundo momento, os catadores que pegam o que querem,   até que chega o lixeiro pra levar o resto para o lixão, onde mais uma leva vai buscar alguma coisa. 

A fome e a miséria não são sintomas de superpopulação, são resultado do total descaso das classes mais favorecidas.

Falta tudo, falta orientação, falta controle, falta carinho com tudo.  O carinho ao se manipular uma fruta vai conservá-la intacta por muito mais tempo,  bom, mas então não sobraria pro catador...tem gente que pensa assim, pasmem!

O filme ILHA DAS FLORES,  do diretor Jorge Furtado, de 1989, discute a pobreza, a fome e principalmente a exclusão social. Passados 23 anos, podemos verificar que nada mudou...Será que em 2022, durante a Rio +30 vamos poder constatar coisa diferente?



Citado no filme:
"Liberdade é uma palavra que o sonho humano alimenta, não há ninguém que explique e ninguém que não entenda".  (Cecília Meirelles)

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Marias


MARIAS, REGINAS E  OUTRAS MULHERES

Existem os estatutos, as leis e as punições.  Sempre que vejo “reserva de vaga” e outros  regulamentos onde pretensamente protejam os direitos das “minorias”, me pergunto se eles não são a prova mais viva das discriminações. 
Dia Internacional da Mulher, seriam os outros 364 dos homens?  
Não sou feminista, nunca reneguei meus seios, nem queimaria meus suteans.    Sou um ser humano,  do sexo feminino.
Acho que pelo fato de ter  uma família  tão cheia de mulheres (e que mulheres!),  não fomos criadas sob o jugo masculino.  Somos mulheres, somos gente, que não fica questionando sobre os direitos femininos, mas os sente, os vive e os exige.   Assim sou, como minhas irmãs e minha mãe.  
Usamos batom e salto alto, parimos e amamentamos.  Namoramos homens.  Amamos os homens que nos tratem bem, que abram portas para passarmos, que nos tragam flores, claro.  Homens que não pensem que nascemos para  lhes trazer os chinelos quando chegam do trabalho.  Nós também chegamos do trabalho, por vezes mais duro que o deles.  Nós também precisamos de massagens nos pés.  Afinal, andamos de salto alto...
Uma amiga só entendeu “o casamento” quando após uma semana de uma linda lua de mel, praia, passeios e muito amor, o “marido”  avisou que naquele dia eles não poderiam passear, pois “ela”  teria que lavar as roupas dele...  Como assim? Aos poucos ela vinha cuidando da própria mala e lavando uma coisinha ou outra... mas cabia a ela fazer o mesmo com a mala dele.  Não porque queria, não porque combinaram, simplesmente era a sua obrigação de esposa.  Tem muitos itens estranhos nesse contrato de união (seria de amor?). Por menos formal que seja esse casamento, já vem no pacote, não se discute. 
O que eu penso disso tudo é tão diferente,  que já reclamo se o marido se oferece para ajudar a esposa, lavando uma louça, por exemplo.  Ajudar?  De quem é a louça?  De quem é a tarefa?  De quem é a casa? Ou o casamento  é  uma parceria ou não sei de mais nada...   
Não estamos pedindo liberdade, somos livres, leves e soltas!   E temos muito amor no coração...


Olha Maria     Tom Jobim

Olha Maria 
Eu bem te queria 
Fazer uma presa 
Da minha poesia 
Mas hoje, Maria 
Pra minha surpresa 
Pra minha tristeza 
Precisas partir 

Parte Maria 
Que estás tão bonita 
Que estás tão aflita 
Pra me abandonar 
Sinto Maria 
Que estás de visita 
Teu corpo se agita 
Querendo dançar 

Parte Maria 
Que estás toda nua 
Que a lua te chama 
Que estás tão mulher 
Arde Maria 
Na chama da lua 
Maria cigana 
Maria maré 

Parte cantando 
Maria fugindo 
Contra a ventania 
Brincando, dormindo
Num colo de serra 
Num campo vazio 
Num leito de rio 
Nos braços do mar 

Vai alegria 
Que a vida, Maria 
Não passa de um dia 
Não vou te prender 
Corre Maria 
Que a vida não espera 
É uma primavera 
Não podes perder 
Anda, Maria 
Pois eu só teria 
A minha agonia 
Pra te oferecer



domingo, 17 de junho de 2012

Morrer de amar


A Valsa, Camille

Camille Claudel



Grande escultora francesa.  Foi modelo, aprendiz e amante de Auguste Rodin. Por vezes, a obra de um e de outro são tão próximas que não se sabe qual obra de seu professor ou da aluna. Não consegue superar  a dor  do  fim do romance, nutrindo pelo escultor um misto de amor e ódio,  o que a leva à loucura e à morte... 

                                                            Camille e Rodin






No período em que estiveram juntos,  tanto as obras de Rodin, como as de Camille, foram marcadas pelo forte apelo sensual.











Sakountala, de Camille




                         

                                               O beijo, de Rodin
                                                                                                                                                                                                   




  
Morrer de amor.  Viver à sombra de alguém, dependente  de um amor e por ele enlouquecer até a morte!  

O que é o amor?  Como pode um amor ser tão forte que supere o instinto da vida? Será isso já prova de sua insanidade mental? Não duvido do sofrimento por amor, também já sofri.  Sei como dói...  Mas a vida tem que ser mais, como diria Mário Quintana: “Tão bom morrer de amor! E continuar vivendo...”


Vale a pena ver o filme, conhecer a fúria da criação desses dois gênios Auguste Rodin e Camille Claudel.























quinta-feira, 14 de junho de 2012

A gente se acostuma

Marina Colasanti
nasceu em Asmara, Etiópia, morou 11 anos na Itália
 e desde então vive no Brasil. Publicou vários livros de contos,
 crônicas, poemas e histórias infantis.É casada com o
escritor e poeta Affonso Romano de Sant'Anna.
Eu sei, mas não devia
Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.

A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E, porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E, porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E, porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.

A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar o café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.

A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E, aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E, aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E, não acreditando nas negociações de paz, aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração.

A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.

A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagar mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.

A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes. A abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.

A gente se acostuma à poluição. Às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À lenta morte dos rios. Se acostuma a não ouvir passarinho, a não ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.

A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente molha só os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.

A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se de faca e baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma.

terça-feira, 12 de junho de 2012

Dia dos namorados

Que apesar das dificuldades da vida moderna, sempre possamos acreditar no amor.Esse filme nos leva ao comecinho de namoro, ainda nos faz chorar de emoção. Chorar de emoção é sempre muito bom! Emoção compartilhada, sabendo que o outro está ali, dentro do seu coração, no mesmo compasso, é o que nos faz ainda hoje acreditar no amor eterno!
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